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29º Top Of Mind de RH

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O marketing de influência entra no RH e transforma a gestão de pessoas

Durante muito tempo, o marketing de influência esteve associado principalmente ao lançamento de produtos, campanhas publicitárias e fortalecimento de marcas. Nos últimos anos, porém, essa lógica começou a ultrapassar os limites da comunicação e passou a ganhar espaço em uma área estratégica das organizações: os Recursos Humanos.

A transformação acompanha uma mudança profunda no comportamento dos profissionais. As redes sociais deixaram de ser apenas espaços de entretenimento para se consolidarem como ambientes de aprendizado, networking, desenvolvimento de carreira e troca de experiências. Nesse contexto, o marketing de influência amplia seu papel e passa a apoiar empresas na construção de relacionamentos mais próximos com candidatos, colaboradores e diferentes comunidades profissionais.

Esse movimento acontece em um cenário favorável. O Brasil reúne um dos maiores ecossistemas de criadores de conteúdo do mundo, com mais de 144 milhões de usuários ativos nas redes sociais, segundo o relatório Digital 2025, da We Are Social e Meltwater. Ao mesmo tempo, a creator economy segue em expansão, enquanto as plataformas digitais consolidam sua influência sobre decisões relacionadas à carreira, qualificação e desenvolvimento profissional.

Levantamento da Page Outsourcing (2023) aponta que 72,2% dos brasileiros utilizavam as redes sociais para buscar oportunidades de trabalho, o maior índice da América Latina à época. Dados mais recentes da pesquisa Opinion Box e M15 (2025) reforçam essa tendência ao indicar que 54% dos brasileiros já utilizaram o LinkedIn para procurar novas oportunidades profissionais.

Além de canais de comunicação, essas plataformas passaram a influenciar a forma como profissionais descobrem empresas, acompanham especialistas e constroem suas trajetórias.

Uma nova frente para a gestão de pessoas

A combinação desses fatores amplia as possibilidades de atuação do RH. Ao incorporar criadores de conteúdo, especialistas e até os próprios colaboradores às suas estratégias, empresas conseguem estabelecer diálogos mais relevantes com diferentes públicos, fortalecer sua marca empregadora e criar conexões que começam antes mesmo de uma oportunidade de contratação.

Essa mudança também acompanha a evolução do próprio marketing de influência. Se antes a estratégia era utilizada principalmente para estimular consumo e fortalecer marcas, hoje ela passa a apoiar objetivos ligados à reputação institucional, cultura organizacional, desenvolvimento de pessoas e relacionamento contínuo com profissionais.

A influência deixa, assim, de ser uma iniciativa restrita ao Marketing e passa a integrar uma estratégia mais ampla de relacionamento com pessoas.

Uma estratégia que amplia o papel do RH

Uma das aplicações mais conhecidas desse movimento é o influencer recruiting, estratégia que utiliza criadores de conteúdo para apresentar oportunidades de carreira, explicar funções, compartilhar aspectos da cultura organizacional e aproximar empresas de potenciais candidatos.

Embora tenha ganhado força nos últimos anos, essa é apenas uma das possibilidades de uso da influência dentro do RH. Organizações também recorrem a criadores, especialistas e colaboradores para fortalecer iniciativas de employer branding, incentivar programas de employee advocacy, apoiar ações de educação corporativa, aproximar lideranças das equipes e ampliar projetos de diversidade e inclusão.

Na prática, a influência passa a contribuir para diferentes momentos da jornada profissional, desde o primeiro contato com uma empresa até o desenvolvimento e engajamento de quem já faz parte da organização.

Esse avanço reflete uma mudança na forma como empresas constroem relacionamento com as pessoas. Em vez de concentrar toda a comunicação em canais institucionais, organizações passam a dialogar em ambientes onde profissionais já consomem conteúdo, acompanham especialistas e participam de comunidades formadas por interesses em comum.

Da comunicação institucional ao relacionamento

A influência também transforma a maneira como empresas comunicam sua cultura. Em vez de apresentar apenas discursos institucionais, organizações passam a estimular a circulação de histórias, experiências e aprendizados compartilhados por pessoas que vivenciam o cotidiano da empresa ou possuem credibilidade junto a comunidades específicas.

Essa lógica fortalece iniciativas de employee advocacy, nas quais colaboradores se tornam representantes da organização ao compartilhar conhecimentos, projetos e experiências profissionais de forma espontânea e alinhada às diretrizes internas.

Quando estruturados com clareza e propósito, esses programas ampliam o alcance da comunicação e ajudam a aproximar empresas de candidatos e profissionais interessados em determinados setores.

Ao mesmo tempo, especialistas externos e criadores de conteúdo ajudam organizações a alcançar públicos altamente segmentados. Em áreas como tecnologia, saúde, engenharia, finanças e marketing, comunidades digitais se consolidaram como espaços relevantes de troca de conhecimento e desenvolvimento profissional.

Para o RH, isso representa uma oportunidade de participar de conversas que já acontecem naturalmente nesses ambientes.

Onde o marketing de influência gera valor para o RH

Embora a atração de talentos seja uma das aplicações mais conhecidas, o potencial do marketing de influência dentro do RH é significativamente mais amplo. À medida que organizações disputam atenção em um ambiente digital cada vez mais fragmentado, cresce a necessidade de construir presença ao longo de diferentes momentos da jornada profissional.

Entre as principais aplicações estão a construção da marca empregadora, o influencer recruiting, os programas de employee advocacy, a educação corporativa, a comunicação interna, o desenvolvimento de lideranças e as iniciativas de diversidade e inclusão.

Apesar de atenderem objetivos diferentes, essas frentes têm um ponto em comum: utilizam pessoas e comunidades para tornar a comunicação mais próxima, contextualizada e relevante. 

A influência como ferramenta de atração de talentos

O recrutamento continua sendo uma das aplicações mais consolidadas desse movimento. A estratégia acompanha uma mudança no comportamento dos candidatos, que passaram a buscar informações sobre empresas antes mesmo de iniciar um processo seletivo.

Além da descrição de uma vaga, profissionais procuram entender a cultura da organização, os valores defendidos, as possibilidades de desenvolvimento e as experiências compartilhadas por quem já faz parte daquele ambiente.

Segundo a Page Outsourcing, mais de sete em cada dez brasileiros utilizavam as redes sociais para buscar emprego em 2023. Entre os profissionais mais jovens, esse comportamento também ganha relevância: pesquisa da Deloitte com a Geração Z, divulgada em 2024, aponta que 52% utilizam as redes sociais como principal canal para pesquisar empresas antes de se candidatarem.

Nesse contexto, o marketing de influência contribui para reduzir a distância entre empresas e candidatos, apresentando oportunidades de forma mais transparente e contextualizada.

Employer branding deixa de ser apenas comunicação

Outro impacto importante está no fortalecimento da marca empregadora. Durante muitos anos, iniciativas de employer branding estiveram concentradas em campanhas institucionais, páginas de carreira e ações de comunicação corporativa. Com o crescimento das redes sociais, essa construção passou a acontecer também por meio das pessoas.

Colaboradores, especialistas e criadores de conteúdo tornam-se pontos de conexão entre empresas e comunidades profissionais. Quando experiências reais são compartilhadas, a cultura organizacional deixa de ser apenas uma narrativa corporativa e passa a ser percebida por meio de vivências concretas.

Essa dinâmica não substitui a comunicação institucional, mas amplia sua capacidade de gerar identificação e aproximação com diferentes públicos.

Educação corporativa, liderança e comunicação interna

A influência também amplia as possibilidades de aprendizagem dentro das organizações. O crescimento da creator economy consolidou formatos de conteúdo que passaram a fazer parte da rotina dos profissionais, como vídeos curtos, transmissões ao vivo, newsletters, podcasts e comunidades digitais.

Essas linguagens começam a ser incorporadas pelo RH em iniciativas voltadas ao desenvolvimento de pessoas.

Especialistas internos, lideranças e convidados externos deixam de atuar apenas como palestrantes ocasionais e passam a compartilhar conhecimento, experiências e boas práticas em formatos mais acessíveis.

Essa lógica fortalece programas de educação corporativa, estimula a circulação de conhecimento e aproxima lideranças das equipes. Nesse cenário, o RH amplia seu papel e passa a atuar também como articulador de comunidades de aprendizagem e relacionamento.

Influência exige estratégia, confiança e governança

À medida que o marketing de influência amplia sua presença na gestão de pessoas, cresce também a necessidade de estabelecer critérios claros para sua utilização.

Os resultados dependem menos da adoção de uma ferramenta e mais da coerência entre objetivos, cultura organizacional e execução.

A escolha de parceiros exige atenção. Alcance e número de seguidores continuam sendo indicadores relevantes, mas deixaram de ser suficientes para orientar decisões. Credibilidade, afinidade com os valores da organização, qualidade da audiência e capacidade de dialogar com comunidades específicas ganham cada vez mais importância.

O mesmo princípio se aplica às iniciativas de employee advocacy. A participação dos colaboradores deve acontecer de forma voluntária, respeitando diferentes perfis, níveis de exposição e formas de comunicação.

Outro aspecto indispensável é a transparência. A confiança que sustenta a influência digital depende da clareza sobre parcerias, do respeito à privacidade e da observância das normas relacionadas ao uso de dados e imagem.

A influência também precisa ser mensurada

A expansão do marketing de influência para o RH também exige uma evolução na forma de avaliar resultados.

Durante muito tempo, indicadores como alcance, visualizações e engajamento foram suficientes para medir campanhas digitais. No contexto da gestão de pessoas, entretanto, esses dados representam apenas parte da análise.

Dependendo dos objetivos da iniciativa, métricas como qualidade das candidaturas, fortalecimento da marca empregadora, participação em programas internos, adesão a ações de desenvolvimento e percepção sobre cultura organizacional oferecem uma leitura mais consistente do impacto gerado.

Essa mudança acompanha uma tendência mais ampla do RH: substituir indicadores de atividade por métricas relacionadas à experiência das pessoas e ao valor gerado para a organização.

Comunidades passam a ocupar um papel central

Outro fator que explica o crescimento dessa estratégia é a consolidação das comunidades digitais como espaços permanentes de relacionamento profissional.

Criadores de conteúdo deixaram de reunir apenas audiências interessadas em entretenimento. Hoje, profissionais acompanham especialistas para aprender novas competências, discutir tendências de mercado, trocar experiências e ampliar suas redes de contato.

Em muitos segmentos, essas comunidades se tornaram importantes referências para decisões relacionadas à carreira, formação e desenvolvimento profissional.

Esse movimento cria uma oportunidade para que o RH participe de conversas que já acontecem de forma espontânea nesses ambientes. Em vez de disputar atenção exclusivamente por meio de campanhas institucionais, empresas passam a construir presença em espaços onde conhecimento e credibilidade já foram estabelecidos.

Essa lógica permite estabelecer diálogos contínuos, compreender demandas de diferentes públicos e construir relacionamentos antes mesmo de uma oportunidade de contratação ou da criação de programas internos específicos.

O futuro da influência passa também pela gestão de pessoas

A consolidação da creator economy e o crescimento das comunidades profissionais indicam que o marketing de influência tende a ocupar um espaço cada vez mais estratégico dentro das organizações.

O que antes era percebido como uma ferramenta voltada principalmente à comunicação e ao consumo passa a integrar iniciativas relacionadas à experiência das pessoas, ao fortalecimento da cultura organizacional e ao desenvolvimento de talentos.

Esse movimento também aproxima áreas que historicamente atuavam de forma independente. Marketing, Comunicação e Recursos Humanos passam a compartilhar desafios relacionados à construção de reputação, relacionamento com diferentes públicos e produção de conteúdo capaz de gerar valor ao longo do tempo.

A transformação na forma como profissionais se informam, aprendem e constroem conexões também impacta a gestão de pessoas. Nesse cenário, influência, relacionamento e comunidade passam a ser ativos estratégicos para empresas que desejam atrair, desenvolver e engajar talentos de forma mais consistente.

Considerações finais

A expansão do marketing de influência para a gestão de pessoas reflete uma transformação mais ampla na forma como empresas constroem relacionamento com profissionais.

Em um ambiente onde comunidades digitais influenciam decisões de carreira, aprendizagem e desenvolvimento, a capacidade de gerar conexão passa a ocupar um papel estratégico ao lado da comunicação institucional.

A influência deixa de estar associada apenas à divulgação e passa a fazer parte de uma estratégia contínua de relacionamento, cultura e desenvolvimento de pessoas.

À medida que a creator economy amadurece e as comunidades digitais se consolidam como espaços de aprendizagem e networking, a tendência é que o marketing de influência integre definitivamente a estratégia de organizações que desejam atrair, desenvolver e engajar pessoas em um mercado cada vez mais orientado por conexões e confiança.

Por Vitor Bastos, fundador e CEO da Tambor.biz

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