29º Top Of Mind de RH

Menos operação, mais inteligência

Menos operação, mais inteligência: o que ainda impede o RH de assumir um papel estratégico?

Quando o orçamento aperta, eficiência vira palavra de ordem. Projetos são revistos, investimentos passam por novos filtros e áreas precisam demonstrar com ainda mais clareza o valor que entregam ao negócio.

Nesse cenário, pode parecer natural que a estruturação do RH espere. Mas há um paradoxo: manter a área dependente de processos manuais, sistemas fragmentados e tarefas excessivamente operacionais também custa dinheiro e, mais do que isso, capacidade de decisão.

Folha de pagamento, ponto, benefícios, admissões, férias, documentos, eSocial e atendimento aos colaboradores continuam sendo responsabilidades indispensáveis. A questão não está em eliminá-las, mas em discutir quanto da inteligência de um time de RH ainda é consumida simplesmente para fazê-las funcionar.

E essa discussão ganha ainda mais relevância com a evolução da automação e da inteligência artificial. Se a tecnologia consegue assumir uma parcela crescente da execução, o que passa a ser esperado dos profissionais de Recursos Humanos?

Para Jeangiorgio Bartos, VP do Sankhya RH, a resposta envolve uma mudança importante de lógica: menos tempo reunindo informações e mais tempo interpretando-as; menos esforço para sustentar a operação e maior capacidade de utilizar dados de pessoas para orientar produtividade, retenção, custos, sucessão e estratégia.

Em entrevista ao Top of MInd de RH, o executivo explica por que essa transformação não depende necessariamente de grandes investimentos, aponta onde o operacional ainda aprisiona as equipes e discute um cuidado fundamental: automatizar processos sem desumanizar a experiência.

Confira:

Top of Mind de RH: É claro que não podemos deixar de considerar empresas que investem menos no RH por questões financeiras. Sobreviver é uma prioridade. Mas até que ponto não olhar para a estruturação da área – e para sua transição do operacional ao estratégico – pode tornar essas empresas ainda menos competitivas?

Jeangiorgio Bartos: Talvez esse seja justamente o ponto mais importante: em momentos de pressão financeira, eficiência não deveria significar apenas cortar custos, mas aumentar a capacidade da empresa de tomar boas decisões sobre pessoas.

Quando o RH continua excessivamente concentrado em tarefas operacionais, a empresa perde uma oportunidade de transformar dados de pessoas em inteligência para o negócio. Isso impacta desde produtividade e retenção até planejamento de custos, sucessão e capacidade de execução da estratégia.

O risco é criar um ciclo no qual a empresa precisa ser mais eficiente, reduz investimento em RH, mas mantém processos manuais, fragmentados e pouco integrados. Com isso, o time continua gastando energia para fazer a operação funcionar, em vez de trabalhar para fazer o negócio funcionar melhor.

A transição do RH para um papel mais estratégico, portanto, não precisa começar com grandes investimentos. Ela começa pela eficiência da operação, que passa por automatizar, integrar informações e eliminar atividades que não precisam mais depender de trabalho manual. É isso que cria espaço para o RH atuar onde realmente gera valor.

Top: Na prática, quais atividades operacionais ainda consomem tempo demais das equipes de RH e impedem que elas gerem mais valor para o negócio? Como corrigir esse cenário?

Bartos: Ainda existe muito tempo sendo consumido por processos como folha, ponto, benefícios, admissões, movimentações, férias, documentos, atendimento de dúvidas dos colaboradores e rotinas relacionadas ao eSocial.

O problema não é a existência dessas atividades – elas precisam acontecer. O problema é quando o RH precisa operacionalizá-las manualmente, conferindo informações em diferentes sistemas, planilhas e canais.

É aí que tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passa a ser uma ferramenta estratégica.

A primeira mudança é integrar os processos. A segunda é automatizar aquilo que é repetitivo. A terceira é usar os dados gerados por essa operação para apoiar decisões.

É essa lógica que orienta o Sankhya RH: ter uma plataforma integrada, mas com soluções especializadas em cada etapa da jornada do colaborador. Porque integrar não significa tratar tudo da mesma forma. Cada etapa tem suas particularidades e precisa de inteligência própria.

Top: Como encontrar o equilíbrio entre automatizar processos e preservar uma experiência positiva e humana para os colaboradores?

Bartos: Automatizar não significa necessariamente tornar a experiência mais fria. O problema não é automatizar a experiência; é automatizar sem entender a experiência.

O colaborador não precisa falar com uma pessoa para tudo. Muitas vezes, ele quer exatamente o contrário: resolver uma questão de forma rápida, simples e no canal em que está.

O papel da tecnologia é tirar fricção da jornada. Solicitar férias, consultar informações, acessar documentos, tirar dúvidas ou acompanhar uma solicitação não deveria exigir uma série de interações com o RH.

Mas existem momentos em que o fator humano é indispensável – situações sensíveis, decisões de carreira, conflitos, desenvolvimento, mudanças importantes.

Por isso, o caminho não é escolher entre tecnologia ou pessoas. É usar tecnologia para que as pessoas do RH tenham mais tempo para aquilo que exige escuta, análise, contexto e decisão.

Top: Para que o RH assuma ainda mais protagonismo nos próximos anos, de que ele não pode abrir mão? E como preparar a área para “falar a língua” da gestão?

Bartos: O RH não pode abrir mão de conhecer profundamente as pessoas, mas também precisa conhecer profundamente o negócio.

Durante muito tempo, falar de RH estratégico significava colocar o RH em uma posição mais próxima da liderança. Hoje, isso não é suficiente. O RH precisa participar das decisões porque consegue mostrar como as decisões sobre pessoas impactam os resultados da empresa.

Para isso, precisa falar de indicadores que a gestão entende: produtividade, custo, turnover, absenteísmo, capacidade, eficiência, risco e retorno sobre investimentos em pessoas.

E isso exige dados confiáveis e integrados.

Se o RH precisa juntar informações de diferentes sistemas e planilhas para responder a uma pergunta simples da diretoria, ele sempre estará alguns passos atrás da estratégia.

O futuro do RH passa justamente por essa combinação: menos tempo consolidando informação e mais tempo interpretando informação. Menos operação e mais inteligência.

É aí que tecnologia, dados e IA ganham um papel importante. Não para substituir o RH, mas para ampliar sua capacidade de análise e decisão.

No fim, o RH que vai ganhar protagonismo não é necessariamente aquele que tem mais tecnologia. É aquele que consegue usar tecnologia para transformar a jornada do colaborador, a eficiência da operação e os dados de pessoas em decisões melhores para o negócio.

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