29º Top Of Mind de RH

Por que líderes precisarão desaprender para performar melhor

Por que líderes precisarão desaprender para performar melhor

Nunca se exigiu tanto das lideranças e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil sustentar resultados sem impactar pessoas no processo. É nesse ponto de tensão que surge uma pergunta inevitável para líderes e RHs: como equilibrar performance e cuidado de forma consistente?

Esse foi o ponto de partida do novo episódio do OnTop, que recebeu Daniel Spinelli, autor best-seller, palestrante e especialista em liderança e expansão do potencial humano.

Spinelli parte de um diagnóstico direto ao dizer que líderes estão operando sob níveis inéditos de pressão emocional e estratégica. Ansiedade, sensação de perda de controle e decisões cada vez mais urgentes fazem parte do dia a dia. E isso, como não poderia ser diferente, impacta diretamente a forma como se lidera.

“Estamos diante de um cenário em que muitos líderes precisam gerenciar o próprio mecanismo de sobrevivência para conseguir liderar bem”, destacou. Nesse contexto, a liderança deixa de ser apenas uma competência desejável e passa a ser um fator crítico para atravessar o momento atual.

O fim do líder “pronto”

Um dos conceitos mais provocativos do episódio é a quebra de um paradigma ainda comum, o de que líderes experientes já “sabem liderar”. Para Spinelli, essa é uma armadilha. “O futuro da liderança é o líder aprendiz”, resume.

Na prática, isso significa abandonar o lugar de certeza e assumir uma postura contínua de desenvolvimento, ainda mais quando falamos de um mundo onde contextos mudam mais rápido do que modelos tradicionais conseguem acompanhar.

Outro ponto central da conversa foi a tensão clássica entre resultado e cuidado com as pessoas, que, segundo o especialista, precisa ser superada. A liderança consciente, fator-chave de sua abordagem, propõe uma mudança de lógica na qual não se trata de equilibrar, mas de integrar.

Ou seja, alta performance e saúde mental não são caminhos concorrentes, são interdependentes. “A gente não deve escolher entre resultado e pessoas. O desafio é gerar resultado com as pessoas”, reforça.

Essa mudança exige mais complexidade na liderança, todavia também abre espaço para resultados mais sustentáveis.

O custo invisível do curto prazo

Em um ambiente onde tudo parece urgente, a pressão por resultados imediatos pode comprometer o futuro da organização.

Spinelli traz uma metáfora simples e poderosa: “sprints são necessários, mas não podem virar cultura permanente”.

Quando isso acontece, o impacto aparece em diferentes frentes: desgaste emocional, queda de engajamento e até perda de talentos. “Se a cultura vira um sprint atrás do outro, existe um sacrifício que, cedo ou tarde, cobra seu preço”, aponta.

A conversa entre Spinelli e o host Daniel Consani, CEO do Grupo Top RH, evidencia também que liderança não se sustenta sem cultura – e que cultura, por sua vez, precisa ser gerida de forma ativa. Mais do que consolidar valores, organizações precisam adaptar continuamente sua cultura para sustentar a estratégia.

De tal modo, o RH assume um papel ainda mais estratégico: conectar desenvolvimento, comportamento e direcionamento do negócio. “A cultura precisa apoiar a estratégia. E isso passa diretamente pelo exemplo das lideranças”, reforça o especialista.

As quatro dimensões da liderança consciente

Como forma de estruturar esse novo modelo, Spinelli apresenta uma metodologia baseada em quatro dimensões que ajudam a traduzir o conceito em prática:

  • Autoliderança: desenvolvimento interno e responsabilidade sobre emoções e comportamentos
  • Liderança de pessoas: criação de ambientes seguros, engajados e produtivos
  • Interdependência: colaboração real entre áreas e quebra de silos
  • Legado: consciência do impacto gerado na organização e na sociedade

A lógica é clara: a transformação começa de dentro para fora e se expande para o coletivo.

Já quando o assunto é engajar times, dois caminhos se destacam para fortalecer o engajamento das equipes:

  • Clareza constante de objetivos e estratégia
  • Construção conjunta de soluções, em vez de decisões unilaterais

Parece simples, mas, na prática, exige mudança de comportamento de líderes que ainda operam no automático. “Quem constrói junto se sente parte e se engaja mais”, salienta.

Confira o episódio completo

A discussão em torno da liderança consciente traz ainda muitos outros insights relevantes para que líderes possam se adequar às transformações de mercado. O papo com Daniel Spinelli pode ser conferido na íntegra pelo link a seguir ou diretamente no player abaixo.

Além disso, agora o OnTop também está no YouTube. Para acompanhar por lá, clique aqui. E não de conferir os conteúdos do canal do Top of Mind de RH.

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