29º Top Of Mind de RH

Não faz mais sentido tratar a saúde ocupacional somente como custo

Não faz mais sentido tratar a saúde ocupacional somente como custo

Durante muito tempo, a saúde ocupacional foi vista pelas empresas como um custo necessário. Ou seja, mais uma daquelas burocracias somente para não levar multa ou outras sanções legais. No entanto, essa visão está cada vez mais ultrapassada em um mercado que valoriza o bem-estar como diferencial competitivo. A mudança de mentalidade é urgente, segundo o Dr. Giancarlo Rodrigues Brandão, superintendente ambulatorial e de medicina ocupacional do SECONCI-SP.

“A saúde ocupacional vai muito além de exames admissionais ou programas pontuais: ela é, de fato, um pilar de performance. Ambientes saudáveis, programas de prevenção e iniciativas de saúde integral reduzem o absenteísmo, aumentam o engajamento e melhoram a produtividade. Ou seja, saúde é um ativo estratégico que protege o maior patrimônio de qualquer empresa: as pessoas”, afirma o especialista.

Indicadores que importam para decisões estratégicas

Para que a saúde ocupacional seja percebida como estratégica, é fundamental que o RH vá além dos indicadores tradicionais. “Número de atestados ou taxa de acidentes são importantes, mas não suficientes para tomar decisões que impactam o negócio como um todo. Precisamos de métricas que conectem saúde ao desempenho organizacional”, defende Brandão.

Entre os indicadores mais relevantes, ele destaca:

  • Índice de absenteísmo ajustado por motivo de saúde – útil para identificar tendências e doenças prevalentes;
  • Indicador de presenteísmo – mostra quando o colaborador está presente fisicamente, mas com performance comprometida;
  • Taxa de participação em programas de saúde e bem-estar – revela o grau de engajamento dos funcionários;
  • Custo total de saúde por colaborador – inclui plano, afastamentos e tratamentos, oferecendo uma visão financeira real;
  • NPS de saúde e bem-estar – mede a percepção dos funcionários sobre o cuidado com sua saúde.

Esses dados transformam a saúde ocupacional em ferramenta de inteligência, permitindo ações preventivas e decisões mais precisas.

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Como convencer o C-level a investir em saúde?

Na visão de Brandão, o segredo está em falar a linguagem do negócio. “Quando o RH apresenta os dados de saúde ocupacional conectados com métricas como turnover, produtividade e custo do colaborador, o investimento em saúde deixa de ser uma despesa e passa a ser um retorno claro”, explica.

Benchmarks, cases de sucesso e dados que mostram redução de custos médicos ou aumento da performance também ajudam a sensibilizar a alta liderança. Mas não é só uma questão financeira: posicionar a saúde como valor organizacional fortalece a marca empregadora. “As novas gerações buscam empresas que cuidam genuinamente das pessoas. Programas de saúde física e mental, ergonomia, flexibilização de jornada, ambiente psicologicamente seguro e cultura de autocuidado fazem da empresa um verdadeiro ímã de talentos”, acrescenta.

Para isso, é essencial que RH, lideranças e gestão atuem de forma integrada, colocando a saúde no centro das decisões estratégicas.

Do reativo ao preditivo: o futuro da saúde ocupacional

Com o avanço da tecnologia, o setor já tem à disposição ferramentas capazes de mapear padrões de adoecimento, prever riscos e agir antes que problemas se agravem. Inteligência artificial, dashboards e people analytics já permitem uma abordagem preditiva. O grande desafio, segundo Brandão, é cultural.

Precisamos abandonar a mentalidade reativa, que foca apenas em exames periódicos ou respostas a acidentes, e adotar uma visão preventiva e proativa. Isso exige investimento em cultura de dados, ética na gestão da informação e capacitação do RH para atuar como parceiro estratégico do negócio.”

Para ele, o futuro da saúde ocupacional é preventivo, personalizado e integrado ao core das organizações. “Quem começar essa transformação agora terá uma vantagem competitiva clara e sustentável”, conclui.

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