29º Top Of Mind de RH

Desafio que também passa pela gestão o RH ainda não saiu do 'modo reativo'

Desafio que também passa pela gestão: o RH ainda não saiu do ‘modo reativo’?

Nos últimos anos, um discurso ganhou força no mercado: o de que o RH deixou de ser uma área de suporte para se tornar protagonista dentro das organizações. A afirmação, no entanto, levanta uma questão importante para empresas, lideranças e os próprios profissionais da área: essa transformação já é realidade ou ainda está mais no campo da intenção do que da prática?

Diante de um contexto corporativo marcado por mudanças no comportamento dos colaboradores, pressão por resultados e aumento da complexidade das relações de trabalho, o papel do RH se amplia ao mesmo tempo que se torna mais desafiador.

Para entender melhor esse momento, falamos com Renato Mendes, CEO da Mendes Talent, sobre a evolução dos desafios da área, o equilíbrio entre operação e estratégia e o que ainda precisa mudar para que o RH, de fato, ocupe um espaço mais relevante nas decisões do negócio, com a liderança e a gestão envolvidas no processo.

Top of Mind de RH: Sobre o discurso tão difundido de que o RH deixou de ser uma área de suporte para se tornar protagonista, isso já é realidade? Quais são os desafios que a área precisa superar para ter um papel mais estratégico?

Renato Mendes: Esse discurso já é uma realidade em algumas organizações mais maduras, mas ainda está longe de ser a prática predominante no mercado. Em muitas empresas, o RH ainda é acionado de forma reativa, principalmente em demandas operacionais, e não como parte ativa das decisões estratégicas.

O principal desafio está justamente nessa transição, sair da execução para o protagonismo. Para isso, o RH precisa desenvolver pilares como visão de negócio, capacidade analítica e proximidade com a liderança.

Além disso, existe um ponto crítico: o excesso de demandas operacionais ainda consome grande parte do tempo do RH. Sem estrutura, tecnologia e parceiros adequados, é difícil que essa área consiga atuar de forma estratégica de fato.

Outro desafio importante é o posicionamento interno. O RH precisa deixar de ser visto como área de apoio e passar a ser reconhecido como um agente que impacta diretamente no resultado, e isso exige consistência, dados e protagonismo.

Top: O que mudou no comportamento dos colaboradores? E como isso pressiona o RH?

Mendes: O colaborador de hoje é mais consciente, mais exigente e menos tolerante a experiências ruins. Seja no processo seletivo, na liderança ou no ambiente de trabalho.

Existe uma busca maior por clareza, respeito, desenvolvimento e propósito, mas também por condições reais de trabalho. Isso desafia o RH porque não basta mais contratar, é preciso garantir uma jornada consistente.

Há uma mudança importante na relação com o trabalho: o vínculo está mais flexível. O colaborador não hesita em sair de uma empresa que não atende às suas expectativas, o que impacta diretamente indicadores como turnover e engajamento.

Isso exige que o RH e a liderança estejam mais preparados para ouvir, agir rápido e, principalmente, estruturar processos que sustentem a experiência do colaborador, e não apenas promessas.

Top: O RH acabou assumindo responsabilidades que vão além do seu papel?

Mendes: Em muitos momentos, sim. O RH acabou absorvendo uma expectativa de ser responsável por resolver todos os aspectos relacionados ao colaborador, inclusive questões que vão além do seu papel estratégico.

A saúde emocional, por exemplo, é um tema extremamente importante, mas não pode ser tratado como uma responsabilidade exclusiva do RH. É uma agenda organizacional, que envolve liderança, cultura e estrutura da empresa.

O risco disso é que, ao reduzir a carga operacional, o RH passe a assumir uma carga estratégica desproporcional, sem o devido suporte.

O equilíbrio está em clareza de papéis. O RH precisa atuar como direcionador, estruturador e facilitador, mas não como o único responsável por todas as soluções.

Empresas mais maduras entendem que gestão de pessoas é uma responsabilidade compartilhada, e é nesse cenário que o RH consegue, de fato, atuar de forma estratégica e sustentável.

Top: Como a Mendes Talent apoia RHs e lideranças nesse movimento de evolução?

Mendes: Na Mendes Talent, acreditamos que o RH só consegue ser estratégico quando deixa de estar sobrecarregado com a operação.

Nosso papel é justamente assumir e estruturar processos críticos, como recrutamento, seleção e gestão de temporários e terceiros, garantindo eficiência, escala e segurança. Com isso, liberamos o RH para atuar onde ele realmente gera valor: estratégia, cultura e desenvolvimento.

Mais do que executar processos, atuamos como parceiros de negócio. Ajudamos líderes e RHs a entenderem seus desafios de contratação, anteciparem demandas e estruturarem operações mais sustentáveis, principalmente em ambientes de alta criticidade e volume.

Também trazemos inteligência de mercado, benchmarks e visão prática de operação, o que apoia a tomada de decisão e fortalece o papel do RH junto à liderança.

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