29º Top Of Mind de RH

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Pessoas antes dos resultados: transformação humana é o caminho para a performance sustentável?

Olhar para os resultados e somente depois para as pessoas é um conceito que há muitos anos guia boa parte do universo corporativo. Mas será que essa dinâmica ainda faz sentido em um mercado que exige inovação, colaboração e adaptação constante?

Essa foi uma das reflexões centrais episódio do OnTop, podcast do ecossistema Top of Mind de RH, que recebeu Aliesh Farias, CEO da Carpediem, para uma conversa sobre desenvolvimento humano, comportamento organizacional e os desafios das lideranças na construção de culturas mais saudáveis e produtivas.

Ao longo do bate-papo, a executiva trouxe uma provocação que vale trazer à tona para o debate: empresas que enxergam pessoas apenas como recursos dificilmente conseguem construir resultados sustentáveis no longo prazo.

“O resultado só acontece justamente porque você olhou para as pessoas. Mas é preciso olhar da maneira certa, com acompanhamento, com gestão e com um interesse genuíno em conectar as pessoas ao negócio”, afirmou.

Desenvolvimento não é evento

Um dos pontos mais destacados por Aliesh foi a forma como muitas organizações ainda tratam iniciativas de desenvolvimento.

Segundo ela, programas de treinamento costumam ser encarados como ações pontuais, desconectadas de um processo contínuo de acompanhamento e evolução.

“Muitas empresas acabam tratando desenvolvimento como um evento. Investem em treinamento, em metodologias, mas apenas naquele momento. Toda mudança exige tempo, repetição, contexto, acompanhamento e paciência.”

Na visão da CEO, é justamente essa ausência de continuidade que leva muitas lideranças a questionarem o retorno dos investimentos em desenvolvimento humano.

Para ela, o problema não está no investimento em pessoas, mas na falta de uma estratégia consistente para transformar aprendizado em comportamento e comportamento em resultado.

O falso dilema entre pessoas e performance

Outro tema que permeou a conversa foi a percepção, ainda presente em parte do mercado, de que existe uma escolha a ser feita entre cuidar das pessoas e alcançar resultados.

Para Aliesh, trata-se de uma falsa oposição.

“Quando você supre as necessidades das pessoas, você tem um resultado muito para além dos números. O resultado não deixa de acontecer porque você olhou para as pessoas. Na verdade, ele acontece justamente por causa disso.”

A executiva defendeu que performance e humanização não são agendas concorrentes, mas complementares. E ressaltou que compreender as necessidades individuais dos colaboradores é parte fundamental desse processo.

“Nós somos uma pessoa só. Não existe essa história de deixar os problemas de casa em casa e os problemas do trabalho no trabalho. Quando a liderança está atenta a essas necessidades, consegue extrair o melhor resultado das pessoas.”

Segurança psicológica: muito além do discurso

A conversa também mergulhou em um dos temas mais debatidos atualmente nas organizações: a segurança psicológica.

Para a executiva, muitas empresas já incorporaram o conceito em seus discursos, mas ainda enfrentam dificuldades para transformá-lo em prática.

“Quando você realmente oferece segurança psicológica, as pessoas entendem que têm espaço de fala, que pertencem à organização e que aquilo que elas dizem importa.”

Ela alerta, porém, que a verdadeira segurança psicológica não significa concordar com tudo o que é dito pelos colaboradores.

“A segurança psicológica não é prometer que tudo será feito da forma que o colaborador deseja. Ela é a liberdade de fala, a escuta genuína e o respeito às diferentes perspectivas. Estamos em 2026 e ainda existem pessoas que têm medo de responder com sinceridade uma pesquisa de clima. Isso mostra o quanto ainda temos uma jornada importante pela frente.”

Ao falar sobre os desafios da gestão contemporânea, a convidada, durante o papo com Daniel Consani, CEO do Grupo TopRH, reforçou que o comportamento da liderança é determinante para consolidar uma cultura organizacional saudável.

Em sua visão, práticas aparentemente simples podem fazer grande diferença na experiência dos colaboradores. “Às vezes, dez minutos de atenção genuína já fazem uma pessoa se sentir pertencente e importante. E isso gera um resultado completamente diferente.”

A executiva esclareceu que papel da liderança não é apenas cobrar entregas, mas criar ambientes onde as pessoas se sintam seguras para contribuir, aprender e crescer.

O que vem primeiro?

Na reta final da conversa, surgiu uma pergunta provocativa: o que deve vir primeiro, a pressão por resultados ou a transformação das pessoas?

A resposta de Aliesh foi direta.

“Os dois caminham juntos, mas a ordem muda a qualidade do resultado. Se você focar apenas no resultado, talvez até entregue no curto prazo, mas isso não se sustenta. Primeiro é preciso olhar para as pessoas.”

E concluiu com um recado às lideranças:

“Para que as empresas parem de tentar acelerar resultados sem estruturar pessoas. No final do dia, quem entrega o resultado são as pessoas. E se elas não estiverem estruturadas, respeitadas e psicologicamente seguras, esse resultado não se sustenta.”

Confira o episódio completo

Os desafios da liderança, o papel da segurança psicológica, os limites do desenvolvimento corporativo e a relação entre comportamento humano e performance foram apenas alguns dos temas abordados na conversa.

Para conferir a entrevista completa com Aliesh Farias, CEO da Carpediem, acesse o novo episódio do OnTop, disponível nas principais plataformas de áudio e vídeo.

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