Saúde mental não é responsabilidade apenas do RH. É uma decisão de gestão.
Nesta semana participei de três reuniões em que a saúde mental era pauta. Curiosamente, em nenhuma delas a dúvida era se o tema era importante — todos concordavam que sim. A pergunta era outra, e mais difícil: por onde começamos?
É uma dúvida que faz sentido. Ao longo da minha trajetória — primeiro como psicóloga, depois vivendo intensamente a gestão de pessoas e de negócios — aprendi que saúde mental não se constrói apenas oferecendo um benefício ou disponibilizando atendimento psicológico. Ela começa muito antes. Ela começa na forma como lideramos.
Se eu pudesse deixar algumas reflexões para quem hoje lidera equipes, seriam estas quatro.
1. Pergunte “como você está?” esperando ouvir a resposta
Parece simples, mas faz muita diferença. Acolhimento não exige um roteiro. Exige presença — olhar nos olhos, ouvir com atenção, criar um ambiente onde as pessoas sintam segurança para falar antes que um problema pequeno se transforme em algo muito maior.
2. Observe o ambiente, não apenas as pessoas
Nem todo adoecimento nasce fora da empresa. Vale a pena olhar para perguntas que muitas vezes passam despercebidas: a equipe sabe exatamente o que precisa fazer? As prioridades são claras? A carga de trabalho está equilibrada? Existe respeito nas relações? Às vezes, não são as pessoas que estão fragilizadas — é o ambiente que precisa ser fortalecido.
3. Liderança não significa ter todas as respostas
Durante muito tempo acreditamos que um bom gestor precisava demonstrar que sabia tudo. Hoje penso diferente. Liderança também é reconhecer limites, pedir apoio quando necessário e construir soluções junto com o time. Isso fortalece a confiança e cria um ambiente onde as pessoas se sentem seguras para contribuir, errar, aprender e evoluir.
4. Saúde mental precisa sair do discurso e entrar na gestão
A nova NR-01 trouxe uma obrigação legal importante. Mas trouxe também uma oportunidade: fazer com que as empresas olhem para os riscos psicossociais da mesma forma que olham para qualquer outro risco do negócio. Na prática, isso significa fortalecer lideranças, melhorar a comunicação, organizar processos, dar clareza às responsabilidades e construir ambientes de trabalho mais saudáveis.
Foi justamente por vivermos esse desafio ao lado dos nossos clientes que criamos a Zenith, empresa do Grupo MAST especializada em Saúde Mental Corporativa e na implementação da nova NR-01. Nosso objetivo nunca foi apenas atender uma exigência legal. É ajudar empresas a identificar riscos psicossociais, apoiar suas lideranças e transformar dados em ações práticas que façam sentido para quem está na operação e para quem cuida das pessoas.
Continuo acreditando que empresas fortes não são construídas apenas por bons processos. São construídas por pessoas que enfrentam seus desafios de gestão diariamente — como todos nós enfrentamos os desafios da nossa vida pessoal, todos os dias. E pessoas entregam o seu melhor quando trabalham em ambientes onde existe respeito, clareza, confiança e espaço para serem ouvidas.
A nova NR-01 trouxe uma obrigação legal. Mas a responsabilidade de construir ambientes mais saudáveis sempre foi nossa.
E na sua empresa: o maior desafio hoje é começar essa conversa, ou transformar essa conversa em ação?
Por Marta Pedrosa – Sócia Diretoria Executiva do Grupo MAST; Artigo em Parceria com a Zenith Saúde Mental