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29º Top Of Mind de RH

Conceito de longevidade se transforma no mercado e exige nova postura de líderes e RHs

Conceito de longevidade se transforma no mercado e exige nova postura de líderes e RHs

Viver mais é uma conquista. Mas, quando essa discussão chega ao ambiente de trabalho, não pode mais passar batido questionar como garantir que os anos adicionais de vida também sejam acompanhados por saúde, autonomia e qualidade.

Para Carla Biasi, Head de RH Latam da TotalPass, essa é justamente a diferença entre pensar em longevidade apenas como extensão da vida profissional e entendê-la como uma questão de sustentabilidade das próprias carreiras.

“No ambiente de trabalho, longevidade não pode ser entendida apenas como permanecer mais anos ativo profissionalmente. Estamos falando sobre criar condições para que as pessoas atravessem diferentes fases da vida com saúde, autonomia, energia e qualidade”, afirma.

A discussão ganha relevância diante da própria transformação demográfica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a proporção da população mundial com 60 anos ou mais deve quase dobrar entre 2015 e 2050, passando de 12% para 22%. A entidade defende uma abordagem de curso de vida, na qual saúde e bem-estar sejam construídos ao longo das diferentes fases da existência, e não apenas tratados quando surgem doenças.

No Brasil, o envelhecimento também já produz efeitos sobre o mercado de trabalho. Dados do IBGE mostram que, em 2024, o nível de ocupação entre pessoas com 60 anos ou mais foi de 24,4%. Entre aquelas de 60 a 69 anos, chegou a 36,2%.

Para as empresas, portanto, falar em longevidade significa lidar com profissionais que podem permanecer economicamente ativos por mais tempo e, ao mesmo tempo, com diferentes necessidades de saúde, desenvolvimento e equilíbrio ao longo da carreira.

O desafio é transformar intenção em rotina

Se a longevidade depende de cuidados construídos ao longo da vida, existe um obstáculo bastante conhecido pelo RH, que é saber que determinada prática fazer bem não significa necessariamente conseguir incorporá-la ao dia a dia. “Um dos maiores desafios é transformar intenção em rotina”, afirma Carla.

Ela cita dados do Prêmio RH de Bem-Estar, realizado pela TotalPass em parceria com a Pin People, segundo os quais a falta de tempo foi apontada por 43,5% das empresas como uma das principais barreiras para a adesão às iniciativas de bem-estar. Também aparecem fatores como desconhecimento das ações, percepção de falta de relevância e estigma.

O dado ajuda a deslocar a discussão de um ponto importante. Oferecer um benefício não significa, automaticamente, criar condições para que ele seja utilizado. Uma empresa pode disponibilizar academia, terapia, alimentação saudável ou outras iniciativas e, ainda assim, manter uma rotina na qual as pessoas não encontram espaço para cuidar de si.

É nesse intervalo entre ter acesso e conseguir usar que Carla coloca o papel de RH e liderança.

“Isso significa comunicar melhor as possibilidades existentes, respeitar momentos de pausa, incentivar o uso dos benefícios e, principalmente, liderar pelo exemplo. Quando o cuidado encontra espaço real na rotina de trabalho, ele deixa de ser uma recomendação e passa a fazer parte da cultura.”

A lógica também se aproxima da própria visão da OMS sobre ambientes de trabalho saudáveis: espaços que não apenas evitem doenças e acidentes, mas ofereçam oportunidades para melhorar a saúde física, mental e o bem-estar social dos trabalhadores.

Longevidade não cabe em uma única atividade

Outro ponto levantado por Carla é que não existe uma fórmula única para o cuidado. Diferentes momentos da vida produzem diferentes necessidades, e mesmo pessoas na mesma faixa etária podem ter rotinas, interesses e condições completamente distintas.

É nesse contexto que a TotalPass posiciona sua atuação. Segundo a executiva, a plataforma reúne atualmente mais de 43 mil academias e parceiros, mais de 250 modalidades, atende mais de 30 mil empresas e alcança 2,3 milhões de usuários.

A diversidade de opções, explica Carla, procura reduzir uma barreira básica: a dificuldade de encontrar uma prática que faça sentido para cada pessoa.

“Essa diversidade é importante porque entendemos que não existe uma única forma de promover bem-estar. O movimento e a atividade física são pilares fundamentais, mas essa visão se amplia para outras dimensões, como saúde mental e nutrição.”

A proposta inclui desde academias tradicionais até experiências e estúdios com diferentes modalidades, como yoga, pilates, bike indoor, boxe e treinamento funcional.

Mais do que uma lista de atividades, a questão colocada pela executiva é a possibilidade de personalização. Para ela, longevidade passa por “acesso, diversidade, personalização e consistência”.

Uma carreira mais longa precisa ser sustentável

O debate sobre longevidade, portanto, pode ser menos sobre fazer com que alguém permaneça mais tempo no mercado e mais sobre criar condições para que essa permanência seja possível sem transformar anos adicionais de trabalho em anos adicionais de desgaste.

Isso exige olhar para prevenção, atividade física, saúde mental, alimentação, relações e organização da rotina, mas também para a própria cultura empresarial. Afinal, não adianta defender autocuidado se a dinâmica de trabalho pune quem faz pausas, não respeita limites ou transforma qualquer ausência em demonstração de falta de comprometimento.

Para Carla, esse é justamente o ponto em que o tema deixa de ser apenas uma questão individual e passa a interessar diretamente à gestão de pessoas.

“Não basta pensar em como as pessoas podem trabalhar por mais tempo, mas em como elas podem continuar contribuindo, aprendendo e se desenvolvendo sem que isso aconteça às custas de sua saúde e bem-estar”, conclui.

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